quarta-feira, 4 de agosto de 2010

De rien

Há tempos deixei o caderno
empoeirando..
Não que me agrade,
só que me esqueço.
Arregaço minhas mangas,
arranho minhas entranhas,
quero provocar um dilúvio
para ter o que peneirar.
Forço os fonemas
numa tentativa
de criar alguma rima
para gerar beleza
numa correnteza
de não-poemas.
Que feio!
Usar-se da palavra
sem nenhuma cor,
sem amor..
Quem mandou ser
tão promíscua?
dar-se tão fácil
a quem só quer brincar?
Fique quieta com sua paga,
maldita!

sábado, 24 de julho de 2010

Be quiet

Fico quieta com o quieto dos outros..
mas o quieto me inquieta às vezes..
tornando inquieto meu jeito
que inquieta outrém..
équitudo é um ciclo..

quinta-feira, 3 de junho de 2010

ARMAZÉM

Disponho de meu canto para conservar
o que não foi feito por mim,
mas ganhou espaço
por sua beleza,
história e
memória.
A música sempre caminhou
em minha vida
cutucando-me,
movendo-me e
provocando-me.
Esta fica aqui
feito um testamento vivo
de algo pulsante,
marcante e
belo,
belo demaisss.
"Delicadeza, feminilidade e coragem"
Sempre, sangüineamente.

"O Meu Amor"
Chico Buarque

O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca
Quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada

O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos
Viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo
Ri do meu umbigo
E me crava os dentes

Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz

O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me deixar maluca
Quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba malfeita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita

O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios
De me beijar os seios
Me beijar o ventre
E me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo
Como se o meu corpo fosse a sua casa



sábado, 6 de fevereiro de 2010

aquecimento

Eu comigo e comigos, vivo bem.
Eu, às vezes, com outros não.
Eu penso sobre o ser humano,
talvez em excesso e
tenho medo de alguns.
Hoje tive.
Estou.
Eu, hoje, não poderia dormir com ninguém..
Eu, hoje, não poderia acreditar em ninguém..
Eu nem sou eu mais agora
e nem sei porque me dirijo a você.
E-U é o quê, afinal?
Se ninguém é de verdade
como saber se o E-U existe?
E-U pode ser um pedaço de outra coisa que se perd E-U!!
Cambaleando entre tantos V-O-C-Ê-S...
Nem V-O-C-Ê é mais o mesmo
já que foi "Vossa Mercê"
O E-U que vive aqui está querendo fugir do M-I-M
O meu E-U só quer ser E-L-E mesmo
para poder encontrar com V-O-C-Ê
sem tornar-se E-L-A
que é muito "impessoal".

domingo, 27 de dezembro de 2009

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

FALSIFICAÇÃO

Disseram que minha escrita é simples.
Ok.
Disseram também que ela é previsível.
Ok.
Disseram que qualquer um escreve o que escrevo.
Ok.
Viraram, remexeram, filosofaram, discursaram.
Leram tudo o que escrevi e eu nunca li nada deles.
E aí?
E se eu mentir aqui, quem irá saber?
Minha escrita é pura interpretação.
Desvio de caligrafia.
Quando eu morrer, tudo vira análise mesmo.
E eu, que sou eu, acabo virando outra.
E esta, meu bem, escreve "prá caralho"!!!

TETO DE VIDRO

Prometi que não prometeria mais.
Esqueci.
Então prometi que seria boazinha,
mulher-padrão,
cama-mesa-banho
só para você acreditar
que eu sou só de você.
Mas esqueci...
desfiz a cama,
não fiz a mesa,
abusei do banho.
Mas não lhe esqueci.
Vou prometer de novo
outras coisas românticas
como dizem que deve ser,
como já acreditei ser.
Pego tudo o que não pode,
tranco e lhe dou a chave.
Prometo que não vejo onde vai guardar.
Prometo não usar.
Prometo não mais prometer.
Mas lhe dou uma cópia.

CONTRATO

Eu aqui,
você aí,
amor dividido.
OOOps, não falo de amor.
É segredo meu.
É disfarce seu.
É solidão nossa.

Construindo Dolores VII

(...)
Dolores sentiu-se subitamente só.
Uma solidão atípica.
Uma solidão da própria "Dolores Nervosa"
Isto não era bom.
Não agora.
Um vazio tomou o lugar da vida de fácil resolução.
Sim. A vida de Dolores não tinha tempo de questões.
Era feita de decisões.
E agora, Dolores?
Dolores olhava o azul desbotado do cobertor da pensão
que Josival conseguira para a noite.
Dolores olhava o quadrinho de paisagem da parede.
Dolores olhava Josival ao seu lado.
Homem forte. Homem de ação.
Homem de olho vazado por sua causa.
Mas Dolores não conseguia fechar seus olhos.
"- Tudo por causa daquela velha que implicou com meu perfume. EU ESTOU NESTA PORCARIA POR CAUSA DE UMA MALDITA VELHA QUE IMPLICOU COM MEU MALDITO PERFUME".
Dolores nem percebeu que seus pensamentos viraram palavras, que viraram gritos, que poderiam vir a virar problemas.
"- Cala a boca e dorme, mulher!" Josival comandou.
Ah Josival! Que erro o seu!
Jamais se manda uma mulher feito Dolores Nervosa calar a boca num momento destes!
Aqueles olhos faiscantes ficaram cegos.
Para onde foi Dolores? Não estava mais ali.
O que se viu foi um corpo forte de mulher em fúria alucinada.
"- Desculpa, mulher!" Josival disse baixinho.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

ODE AO BIGODE (repostando Dali)


Salve Dali cheio de farsa!
A loucura é contigo.
Permita que, em ti, acerte minha hora.
Liberta Gala de tuas gavetas.
Azuis!
Santa mania, voar em pincéis...
Devolva as cores da borboleta.
Agora vou vestir tua sorte
para despir mais...
... além.